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quinta-feira, 3 de junho de 2010

Há coisas que eu simplesmento não aprendo.

Ora depois de 22 anos a "estudar":

*Final do 2º semestre do Mestrado.
*5 trabalhos para fazer.
*20 dias.
*Como se os 3 meses anteriores nunca tivessem existido.
*Penar até acabar os trabalhos.
*Dieta de cerveja, café, cigarros, pecinhas de fruta, noodles, saladas de tomate com atum, saladas de alface com camarão (daqueles pequeninos dos pacotes), iogurtes a dar com um pau, pizzas do pingo doce e amêndoa amarga com gelo e limão.
*Dormir 3 horas por noite.
*Ir à praia de manhã dar um mergulho, voltar para casa e culpabilizar-me porque perdi 2 horas de trabalho.
*Ir dar aulas às pestes e culpabilizar-me por ter aceite um trabalho no fim do ano quando preciso de tempo para a faculdade.
*Ir ao café lá de baixo e ouvir a senhora dizer "Ai minha querida que está mesmo com má cara!"
*Ouvir a minha mãe dizer "Oh filha, já comeste? Vai dormir que já é tarde!", e invariavelmente responder "Não posso mamã... Tenho coisas para fazer. Hoje acabo isto!".
*Sair à noite, passar o dia seguinte com a cabeça vazia e culpabilizar-me porque sou uma besta e saí. Não devia. Mais um dia perdido. Raios me partam.

Até poderia dizer que é o meu sistema e funciona. Mas tenho sempre a sensação que perdi 2 anos de vida em 15 dias. E depois dormiiiiiiir 1 semana seguida e chamar-lhe férias.

Depois de 22 anos de estudante não era suposto ter feito algum progresso ao nível da organização? Não.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Aventura no Tribunal de Trabalho

1 mês e meio após marcar uma reunião para fazer a denúncia do Gulag no Tribunal de Trabalho, chegou finalmente o dia. Lá fui eu feliz e contente, crente no poder daquelas gentes que defendem os pobres e oprimidos trabalhadores. Às 14h15m lá estava eu, encharcada até aos ossos (choviiiiia!!!), mas cheia de esperança.
Ora mal cheguei ao 1º piso encontrei logo um amigo, "companheiro de infortúnio", como ele próprio se apelidou. Menos mal, não esperei quase uma hora sozinha, e aproveitámos para pôr a conversa em dia e falar de cinema, música e coisas afins, na "sala de testemunhas"(Uh!...) do 4º piso.
Entretanto lá me chamaram. Entrei para uma sala, onde estava o Senhor Advogado a averiguar dossiers, com a sua ajudante.
Pensei que fosse diferente... Mas afinal, como tudo na minha vida, foi um sem fim de parvoíce. De todas as baboseiras que me disseram destaco as seguintes:

1.
Dr Advogado: "Então e precisava mesmo de mudar o horário da faculdade?"
Eu: "Pois.. Entrei para outra faculdade e o horário mudou."
Dr Advogado: "E tinha de mudar de faculdade?"
Eu: MAS QUE CARA***!! "Sim, entrei para o Mestrado..."
Dr Advogado: "E não havia outro horário? Ou tinha mesmo de ir este ano?"
Eu: "Hein?" - belisco-me, para ver se não estava a ter um daqueles sonhos estapafúrdios - "Não, não havia outro horário... E sim, tinha de ir este ano. Quer dizer, não tinha, mas quis. Isto de ser vendedora part-time não era bem o meu objectivo de vida." - Não estava a dormir. Damn...
Dr Advogado: "Ah, muito bem." e rabisca numa folha...

2.
Dr Advogado: "E porque é que não tentou arranjar outro emprego quando soube que ia mudar o horário da faculdade?"
Eu: FO**-SE!!! "Porque era efectiva na empresa, ganhava bem, gostava do que fazia e na empresa há 2000 empregados e existe rotatividade de horários. Ah e porque a LEI prevê o ajuste de horários para trabalhadores-estudantes."
Dr Advogado: "Mas se eles não lhe trocavam!... Devia ter procurado outra coisa!"
Eu: "Então nesse caso a lei de nada serve, certo?"
Dr Advogado: "Pois não é bem assim..."
Eu: "Então explique-me como é, e porque raio é que eu tinha de procurar outro emprego!" - não explicou.

3.
Dr Advogado: "Então e como é que vai provar que havia um horário disponível para si?"
Eu: "Então e como é que eles provam que não havia? Pois, não sei. Contrato um detective? Diga-me o Dr..."
Dr Advogado: "Pois, isso vai ser complicado..." - Se fosse simples eu fazia sozinha, não achas patego?!

4.
Dr Advogado: "Então e o que é que a Sra pretende?"
Eu: "Que me aceitem a justa causa do despedimento."
Dr Advogado: "E indemnização?"
Eu: "Se tiver direito sim, mas o objectivo principal é mesmo aceitarem a justa causa."
Dr Advogado: "Mas porquê?" - intrigadíssimo.
Eu: "Para ter direito ao subsídio de desemprego?!"
Dr Advogado: "Ah!! Pois é!.." - surpreso. - "E a indemnização?"
Eu: "Sim, também dava jeito!"
Dr Advogado: "Ah mas não sei se tem direito..."
Eu: "Eu é que não sei." - Umpf...

Mas o melhor momento foi protagonizado pela ajudante otária, que me interrompe com um guincho e, com maus modos, irritada e em tom de ameaça profere as seguintes palavras:

5.
Ajudante otária: "Olhe, mas já agora deixe-me que lhe diga que se tiver direito ao subsídio vai ter de fazer apresentações regulares!"
Eu: "Sim, estou ciente disso."
Ajudante otária: "E se lhe atribuírem um emprego tem de aceitar! Senão perde o direito ao subsídio!"
Eu já sem paciência: "E se me arranjarem um emprego compatível com o meu horário de Mestrado aceito COM MUITO GOSTO! Não estou propriamente aqui para tentar a sacar dinheiro ao Estado e não mexer uma palha! E agradeço que não me julgue sem me conhecer!"
Ajudante otária já mansinha: "Estava só a informar das condições..."
Eu ainda exaltada: "Eu conheço as condições, mas obrigadinha!"

Na minha triste vidinha nada é simples. Acho que preciso de um advogado para me defender do Ministério Público.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Aventura na A23

Já estava a voltar contrariada de Manteigas quando, ali pela zona do Fundão, à 1 da tarde, na p*** da A23, o meu carro resolveu ter um furo.

Eu: "F***-se f***-se f***-se!! Cara***! Merda! Não tenho sorte nenhuma!" - gritei sozinha. E ligo ao meu pai. - "Papá, tive um furo..."
Papá: "Chama mas é a assistência em viagem, vá."
Eu: "Achas? Por causa de um furo?! Deixa. Eu safo-me." - EU SAFO-ME?? E liguei ao meu irmão.

Eu: "Manolas, tive um furo. Está uma brasa que nem se pode... Ai ai..."
Mano: "Hmmm.. Ora bem, vamos lá, tu consegues. Trocar um pneu é fácil."
Eu: "Mas já tentei tirar o pneu suplente e nem sequer isso consigo! Está preso... E não percebo nada da porra do macaco. É estranho..." - pesarosa.
Mano: "Vá! Não sejas menina! Eu dou as instruções e tu fazes isso na boa." - MAS EU SOU MENINA!!!
Eu: "Ok..."

Colete, triângulo, macaco, eu a andar de um lado para o outro a ouvir instruções, sentada na auto-estrada a tentar desvendar os segredos do macaco, o calor quase a matar-me, desenrosca porcas, tira roda, despeja garrafa de água na cabeça, mete roda, come uma pêra da tia, e coisas assim, lá troquei o pneu em 20 minutos de puro terror e calor abrasador (rima bonita!). Parou um senhor ao fim do processo, depois de eu saltar em cima da chave para me certificar de que aquela porra tinha ficado bem presa. Tentou apertar mais e concluiu: "Oh menina, nem eu teria apertado melhor! Muito bem!", Resolvi ir ao Fundão remendar o furo, não fosse o diabo fazer das dele e ainda me arranjar mais um furito para o caminho.Chegada à oficina...

Eu (de mãos e cara pretas, a suar que nem uma égua): "Boa tarde! Tive ali um furo na A23..."
Sr da oficina (velhote simpático, rodeado de 10 gajos que ficaram a olhar para mim): "Quer que chame o reboque, não é?"
Eu: "Não não! Já tenho aqui o carro!"
Sr da oficina: "ENTÃO TROUXE O CARRO PARA AQUI COM O PNEU EM BAIXO???"
Eu: "Não... Antes de o trazer troquei o pneu. Queria era que me remendasse o furo que vou de viagem e..."

Público da oficina: "Clap clap clap!!" - uma salva de palmas com direito a palmadinha nas costas e comentários como "AH VALENTE!" e "AS MULHERES DEVIAM SER TODAS ASSIM! MUITO BEM!".

Orgulho.


Mostraram-me o caminho para a casa de banho (talvez por ter a cara da cor do alcatrão) e o sr ainda me ofereceu delicadamente o seu escritório para descansar e para me refrescar. Fui lavar as patitas e o focinho mas declinei o convite do escritório, para me fazer de forte.

O pneu não tinha salvação. Lá fiz a viagem para baixo até ao meu mecânico que me trocou o suplente por outro e arranjou-me um problema na suspensão. E digo arranjou-me porque vivendo na ignorância do mesmo era feliz. Agora vou gastar mais 200 euros e ainda tenho de comprar um pneu novo.

Ir ao mecânico é como ir ao médico - está tudo bem até irmos lá. Saímos de lá sempre doentes ou com problemas na suspensão.

Damn.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Talking Heads - Psycho Killer (eu hoje)



É sem sombra de dúvida a música do dia: avaliações no gulag. Eu, chefe, chefe-chefe e chefe-chefe-chefe num escritório. Brilhantes conclusões após cerca de 45 minutos:
*Vendo muito bem, sim senhora.
*Tenho vindo a vender cada vez mais.
*Sou a part-time que mais vende.
*Não faço coisas mal.
mas...
*Tenho uma postura demasiado descontraída na loja (parece que isso é mau) e não abordo os clientes (e assim se justifica o meu volume de vendas).
*Não gosto de ir para outras áreas vender e não me mostro muito disponível para tal (será porque não percebo um boi das outras coisas e/ou são coisas sem um mínimo de interesse?)
*Sou fundamentalista (??? disse-me isto algumas 5 vezes. Não percebi onde queria chegar.)
*Estou a liderar uma rebelião e os meus colegas devem ser todos mentecaptos porque pelos vistos eu controlo ali o pessoal todo com a minha genial capacidade de influenciar as pessoas. Este poder poderia ser usado noutro sentido, pelo que percebi.
*Faltei 22 horas sem justificar e isso é quase um pecado, segundo parece. E não!! Não há vida pessoal para além daquilo, pelo que só podemos faltar se estivermos doentes (e ainda assim só à beira da morte): "A mim não me interessa a sua vida pessoal! Isso não é justificação para faltar!" ao que eu respondo "Pois, mesmo porque não lhe diz respeito, eu não sinto a necessidade de me justificar ou de me desculpar!" - fiz mal em ter respondido. À pala desta fiquei lá mais 15 minutos.

Enfim. Foi um sem fim de disparates. Acho que há mais, mas fui desligando durante alguns minutos, e perdia o fio à meada, tal era a conversa da treta. Não me consegui manter atenta o tempo todo.
O que eu achei curioso foi a escolha de vítimas a ser avaliadas hoje: apenas eu e um colega (full-time, por sinal) meu companheiro na liderança da revolta, segundo consta. Estranho, dado que noutros anos começaram sempre pelos full-time e só depois passaram à escumalha das 5 horas. Saí de lá confusa e perturbada. E aprendi que o melhor é deixar de ter relações pessoais com pessoas com as quais trabalhamos.

E foi assim que perdi 45 minutos da minha vida.

domingo, 2 de novembro de 2008

Oh.

Acabou a F1*.
E agora? Não gosto de esperar.
Valha-me isto. Ainda assim fico transtornada. Todos os anos a mesma coisa.

*nem vou discutir resultados para não incorrer em ofensas e comentários menos apropriados.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

E

vou ali começar e acabar o trabalho que tenho de apresentar amanhã às 8 da manhã.
Também detesto trabalho(s).

domingo, 18 de maio de 2008

Foi desta que a desterrada se desterrou de vez

Não tenho notícias dela há vários dias. A única coisa que me faz ter esperança é um mail acerca das gasolineiras (coisa muito em voga) que ela me mandou lá do desterro.
Estou em stress, transtornada. A única coisa que sei acerca dela nos dias que correm é que está preocupada com os preços dos combustíveis em Portugal. Sinto-me tentada a ir procurá-la em todos os postos de abastecimento referidos no mail, mas para isso teria de gastar muito gasóleo, e acho que ela não ficaria orgulhosa de mim.

Se alguém tiver notícias, por favor tenha a bondade de me informar.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Indecisões que me levam a queimar calorias

Chefe 1: "As fixações das pranchas de snowboard? Ah sim, são para ir para o armazém no piso -1. É fácil. Levas os carrinhos de supermercado por este monta cargas até ao 1. Sais e entras no outro que vai até ao -1. Sais e andas no parque de estacionamento até meeeeeeeeesmo lá ao fundo e arrumas."
Chefe 2: "Levaste as fixações para baixo? Ah pois... Não eram essas... Vai lá buscar."
Chefe 1: "Ah já trouxeste as fixações para cima outra vez... Pois, mas agora precisamos de esvaziar a oficina porque vão fazer obras. Levas outra vez para baixo? Desculpa lá. E volta depressa porque é preciso tirar de lá TUDO."
Chefe 2: "Ai credo! Que cara é essa? Estás chateada?"
Eu (toda cheia de pó e arranhões, despenteada e a arfar): "Nãaao! Lá agora! Estou tão bem a andar de um lado para o outro feita parva!!! Já para não falar do facto de não ter vendido um tusto em 2 dias!"
Chefe 2: "Oh!... Podias ter ido para as havaianas! Não era pior? ahahahahah" - Sarcásticozinho...

Saiba-se que as fixações eram 3 carrinhos, o que perfaz um total de...... um porradão de viagens para cima e para baixo. Cúmulo dos cúmulos ainda tive de levar com as senhoras que recolhem o lixo no monta cargas. É um fedor que não se pode. Para além do mais, nos pisos subterrâneos há dióxido de carbono a dar com um pau e um calor que parece que chegámos aos infernos. Tive um dia muito bom. Andei alguns 15 kms e acartei peso nas patas que nem uma louca. Os meus gémeos parecem chumbo.


Eu hoje

A próxima besta que disser que eu ganho muito bem e faço muito pouco leva com um porta-paletes no meio dos cornos.