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quinta-feira, 22 de julho de 2010

Estou a enlouquecer.

Obras no prédio.

Eu habito no 2º andar. Pensava que as obras eram aqui ao lado, ou em cima, tal era a magnitude do estardalhaço matinal. O chão treme e uma pessoa pensa "Que azar do caralho... Tinha de ser logo aqui. 9 andares e tinha de ser aqui ao pé!".

Tampões nos ouvidos, almofada em cima da cabeça.

Em conversa com a senhora do café de baixo (7º andar):
Jacaré: "As obras nunca mais acabam! Até sinto o chão a tremer..."
Sra do café: "Então que direi eu! Até me caem coisas do armário! É impossível estar em minha casa durante o tempo que andam lá nos batuques!"
Jacaré: "Mas... Tão longe e mesmo assim consegue ouvir tanto?"
Sra do café: "Oh filha! Longe? É mesmo por cima da minha casa!"

As obras que julgava serem aqui mesmo ao lado são, afinal, 6 andares acima.

Nesse mesmo dia, em almoço com o R. regado a vinho carrascão na cantina dos bombeiros do Marquês de Pombal:

Jacaré: "Porra Bro.. As obras estão a dar cabo de mim. E descobri que são no 8º andar! Não durmo... Pareço um zombie."
R.: "Isso é estranho. E já duram há muito tempo?"
Jacaré: "Sim. Para aí 2 semanas. Parece que andam a partir aquela merda toda."
R.: "Ui. Vê lá se não são um bando de otários que estão a mandar abaixo uma parede mestra. Ainda te cai a merda do prédio em cima." - ar natural e mais uma garfada.
Jacaré: "Oh achas?! Disparate."

Optimista o menino. O certo é que passei a temer pela minha vida. E cada vez estou mais célere e afoita na busca de casa.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Quando acordo (cedo) fico irritada

Não é que goste muito de dormir. Chateia-me mesmo é a parte de acordar, e pelos vistos está a piorar com a idade. Isso e as ressacas (temática a tratar em post posterior dada a sua óbvia complexidade).

Hoje vi-me obrigada a sair de casa às 7 da manhã. A cidade ainda estava calminha e, apesar do nevoeiro tudo corria bem. Até chegar a um estacionamento vazio e estar lá um arrumador de carros. O homem tinha ali uma mina de ouro! Tantos lugares vazios! Aliás, todos os lugares vazios! Claro que, uma vez que ele não me ia prestar serviço nenhum, ignorei as indicações do senhor e ia estacionar noutro sítio. Pedi-lhe ajuda?? NÃO! Como é óbvio, o dito trabalhador liberal fez um sprint até ao meu carro e pôs-se a esbracejar: "Mais para aqui menina! É isso mesmo!". Uhm... Isto tudo quando eu já tinha o carro para lá de estacionado. Foi um aparato que só visto! Saí do carro e perguntei graciosamente (dentro dos possíveis tendo em conta a hora): "Precisa de alguma coisa?" Responde ele: "Uhm... Ãhn... Pois... É que..."
Eu: "Siiiiim?"
Ele: "Uma moedinha?"
Eu: "Pelos serviços prestados?"
Ele: "Pois!"
Eu para rematar com ar de esperta: "Mas eu não estacionei no lugar que o senhor me indicou! Ou seja, não me ajudou lá grande coisa... O senhor é que veio ter aqui depois..."
Ele: "Ah pois! Mas estes lugares são todos meus!"

E com esta me calou. Só disse entre dentes: "Agora não tenho aqui trocos, mas volto já e dou-lhe depois, está bem?"

E foi assim que conheci um dos donos da cidade, que para proprietário posso desde já dizer que não tem grande noção de estilo (a não ser que os fatos e treino e as camisas com cornucópias estejam de novo na moda e eu não saiba ainda de nada...). Em todo o caso foi uma honra dar-lhe 50 cêntimos, porque se não fosse ele sabe-se lá onde eu estaria agora! Talvez ainda às voltas no estacionamento a tentar decidir em que lugar dos 200 vazios parar...